terça-feira, 29 de novembro de 2016

LOCUÇÃO PRONOMINAL INDEFINIDA

Locução pronominal indefinida


Quando temos um grupo de palavras com valor de pronome indefinido, nós o chamamos de locução pronominal indefinida.
Veja alguns exemplos:
  • Todo mundo ganhará com os esportes.
  • Cada um de nós deverá fazer a sua parte para salvar o mundo.
São também locuções: qualquer um, cada qual, qual for, seja quem for, todo aquele que, etc.


Pronomes Indefinidos

São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quantidade indeterminada.
Por exemplo: Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-plantadas.
Não é difícil perceber que "alguém"  indica uma pessoa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que seguramente existe, mas cuja identidade é desconhecida ou não se quer revelar. 
Classificam-se em:



 Assumem o lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase.
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Por exemplo:
Algo o incomoda?
Quem avisa amigo é.


 Qualificam um ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada.
São eles: cada, certo(s), certa(s).
Por exemplo:
Cada povo tem seus costumes.
Certas pessoas exercem várias profissões.
Note que:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pronomes indefinidos adjetivos:
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
Por exemplo:
Poucos vieram para o passeio.
Poucos alunos vieram para o passeio.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe o quadro:


Variáveis
Invariáveis
Singular
Plural
Masculino
Feminino
Masculino
Feminino
algum
nenhum
todo
muito
pouco
vário
tanto
outro
quanto
alguma
nenhuma
toda
muita
pouca
vária
tanta
outra
quanta
alguns
nenhuns
todos
muitos
poucos
vários
tantos
outros
quantos
algumas
nenhumas
todas
muitas
poucas
várias
tantas
outras
quantas
alguém
ninguém
outrem
tudo
nada
algo
cada
qualquer
          quaisquer

São locuções pronominais indefinidas:
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Por exemplo:
Cada um escolheu o vinho desejado.
Indefinidos Sistemáticos
Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, percebemos que existem alguns grupos que criam oposição de sentido. É o caso de:
algum/alguém/algo, que têm sentido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido negativo;
todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmativa, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade negativa;
alguém/ninguém, que se referem a pessoa, e algo/nada, que se referem a coisa;
certo, que particulariza, e qualquer, que generaliza.
Essas oposições de sentido são muito importantes na construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas vezes dependem a solidez e a consistência dos argumentos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações de que fazem parte:
Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado prático.
Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são pessoas quaisquer.


LOCUÇÃO PREDOMINAL INDEFINIDA

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Função Sintática do Pronome Relativo - Pablo Jamilk

FORMAÇÃO DE PALAVRAS

Processos de Formação de Palavras


Palavras primitivas: são palavras que servem como base para a formação de outra e que não foram formadas a partir de outro radical da língua.
Exemplos: pedra, florcasa.

Palavras derivadas: são palavras formadas a partir de outros radicais.
Exemplos: pedreiro, floricultura, casebre.

No português, os principais processos para formar palavras novas são dois: derivação e composição.

Os principais processos de formação são:

Derivação Processo de formar palavras no qual a nova palavra é derivada de outra, chamada de primitiva. Os processos de derivação são:

Derivação PrefixalA derivação prefixal é um processo de formar palavras no qual um prefixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.

Ex.: re/com/por (dois prefixos), desfazer, impaciente.

Derivação SufixalA derivação sufixal é um processo de formar palavras no qual um sufixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.

Ex.: realmente, folhagem.

Derivação Prefixal e Sufixal
A derivação prefixal e sufixal existe quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma independente, ou seja, mesmo sem a presença de um dos afixos a palavra continua tendo significado.

Ex.: deslealmente (des- prefixo e -mente sufixo). Você pode observar que os dois afixos são independentes: existem as palavras, desleal e lealmente.

Derivação ParassintéticaA derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma dependente, ou seja, os dois afixos não podem se separar, devendo ser usados ao mesmo tempo, pois sem um deles a palavra não se reveste de nenhum significado.

Ex.: anoitecer (a- prefixo e -ecer - sufixo), neste caso, não existem as palavras anoite e noitecer, pois os afixos não podem se separar.

Derivação RegressivaA derivação regressiva existe quando morfemas da palavra primitiva desaparecem.

Ex.: mengo (flamengo), dança (dançar), portuga (português).

Derivação ImprópriaA derivação imprópria, mudança de classe ou conversão ocorre quando a palavra, pertencente a uma classe, é usada como fazendo parte de outra.

Exemplos:

coelho - substantivo comum, usado como substantivo próprio - Daniel Coelho da Silva.

verde, geralmente usado como adjetivo - Comprei uma camisa verde-, é usado como substantivo: O verde do parque comoveu a todos.


Composição

O processo de composição forma palavras através da junção de dois ou mais radicais.
Exemplos: guarda-roupa, pombo-correio.

Há dois tipos de composição: aglutinação e justaposição.

Composição por Aglutinação 

Ocorre quando um dos radicais, ao se unirem, sofre alterações.
Exemplos: planalto (plano + alto), embora (em + boa + hora).

Composição por Justaposição

Ocorre quando os radicais, ao se unirem, não sofrem alterações.
Exemplos: pé-de-galinha, passatempo, cachorro-quente, girassol.


Outros processos 

Hibridismo 

Ocorre quando os elementos que formam a palavra são de idiomas diferentes.
Exemplos: automóvel (auto= grego, móvel= latim), televisão (tele= grego, visão=latim).

Onomatopeia

Acontece nas palavras que simbolizam a reprodução de determinados sons.
Exemplos: tique-taque, zunzum. 

Redução ou Abreviação

Esse processo se manifesta quando uma palavra é muito longa, pois forma novas palavras a partir da redução ou abreviação de palavras já existentes.
Exemplos: pornô (pornográfico), moto (motocicleta), pneu (pneumático).

Neologismo

É a criação de novas palavras para atender às necessidades dos falantes em contextos específicos.
Veja os neologismos num trecho do poema Amar, de Carlos Drummond de Andrade:

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

CONCORDÂNCIA NORMAL

CONCORDÂNCIA NORMAL

PRÓCLISE - MESÓCLISE - ÊNCLISE

A colocação correta desses pronomes em relação ao verbo faz parte da tríade denominada próclise (o pronome vem antes do verbo), mesóclise (vem no meio) e ênclise (vem depois do verbo).


A próclise ocorre mediante os seguintes casos: 

-  Com os advérbios de maneira geral:

Aqui se cultiva a paz e a harmonia.

Talvez lhe traga a encomenda que pediu.

Não se preocupe, tudo vai dar certo. 


-  Com os pronomes substantivos:

Todos te ajudarão nesta importante tarefa.

Aquilo me deixou estarrecida. 


-  Com os pronomes relativos:

Os policiais estão à procura do rapaz que se evadiu do local.

O pátio é o lugar onde me sinto à vontade. 


-  Com as conjunções subordinativas:

Farei isso se me for útil.

É necessário que o leve à festa. 


-  Com a preposição seguida de gerúndio:

Em se tratando de saúde, toda cautela é pouco. 

-  Em frases exclamativas e interrogativas:

Quanto me custou ter que partir agora!

Quanto lhe devo por este pedido? 


-  Em frases optativas (que expressam desejos, previsões):

Que o futuro lhe traga sucesso.

Que Deus o abençoe. 


A mesóclise, embora não seja muito usual, somente ocorre com os verbos conjugados no futuro do presente e do pretérito.
 


Comemorar-se-ia o aniversário se todos estivessem presentes.

Planejar-se-ão todos os gastos referentes a este ano. 

E, por último, a ênclise, que tem incidência nos seguintes casos: 

-  Em frase iniciada por verbo, desde que não esteja no futuro:

Vou dizer-lhe que estou muito feliz.

Pretendeu-se desvendar todo aquele mistério. 


-  Nas orações reduzidas de infinitivo:

Convém contar-lhe tudo sobre o acontecido. 

-  Nas orações reduzidas de gerúndio:

O diretor apareceu avisando-lhe sobre o início das avaliações. 

- Nas frases imperativas afirmativas:

Senhor, atenda-me, por favor!

ANÁLISE SINTÁTICA

análise sintática é a parte da gramática que estuda a função e a ligação de cada elemento que forma um período.
Há também a análise morfológica. Essa é a parte da gramática que estuda individualmente cada elemento que forma um enunciado linguístico, ou seja, independentemente da sua função.
análise morfossintática, por sua vez, analisa os elementos do mesmo enunciado linguístico sintática e morfologicamente.

Termos da oração

A oração é dividida de acordo com a função que exerce. Essa divisão é feita através de termos, os quais podem ser essenciaisintegrantes ou acessórios.

Termos Essenciais da Oração

Os termos essenciais são os termos básicos, que geralmente formam uma oração. Trata-se do sujeito e do predicado. Vale lembrar que nem sempre a oração tem sujeito.

Sujeito

sujeito é alguém ou alguma coisa sobre a qual é dada uma informação. O núcleo do sujeito é a palavra que tem mais importância, é o principal termo contido no sujeito.
Exemplos:
  • Uma pessoa ligou, mas não quis se identificar. (pessoa é o núcleo do sujeito Uma pessoa)
  • O casal saiu para jantar. (casal é o núcleo do sujeito O casal)
O sujeito pode ser:
Determinado quando é identificado na oração ou Indeterminado quando não é possível identificá-lo, por exemplo, se o verbo não se refere a alguém determinado na oração.
Os sujeitos determinados, por sua vez, se dividem em:
Simples quando tiver apenas um núcleo.
ou
Composto quando tiver dois ou mais núcleos.
Nem sempre o sujeito está expresso na oração. Quando isso acontece, estamos diante do sujeito ocultoelíptico ou desinencial.
Exemplos:
  • Está um calor! (oração sem sujeito)
  • Estão chamando aí à porta. (sujeito indeterminado)
  • A Ana acabou de chegar. (sujeito simples)
  • Caderno, lápis e borracha estão na mochila. (sujeito composto)
  • Agi conforme suas orientações. (sujeito oculto: eu)

Predicado

predicado é a informação que se dá sobre o sujeito. Ao identificar o sujeito da oração, todo o resto faz parte do predicado.

Predicação Verbal

Verbos Intransitivos

Os verbos intransitivos não necessitam de complemento porque têm sentido completo.

Verbos Transitivos

Os verbos transitivos necessitam de complemento porque não têm sentido completo.
Exemplos:
  • Acordei! (verbo intransitivo)
  • O velhinho morreu ontem. (verbo intransitivo)
  • Vou preparar o jantar. (verbo transitivo)
  • O velhinho contou uma história. (verbo transitivo)

Verbos de Ligação

Os verbos de ligação não indicam uma ação, mas sim uma forma de estar.
Exemplos:
  • Esta matéria é extensa.
  • O estudante está com atenção.
Predicativo do sujeito e o Predicativo do objeto são complementos que informam algo ou atribuem uma característica a respeito do sujeito ou do objeto. Esse complemento pode seguir (ou não) um verbo de ligação.
Exemplos:
  • Esta matéria é extensa. (extensa=predicativo do sujeito)
  • O rapaz brigou e deixou a namorada infeliz. (infeliz=predicativo do objeto)

Termos Integrantes da Oração

Complemento Verbal

Os complementos verbais são os termos utilizados para completar o sentido dos verbos transitivos.
Assim, os verbos transitivos subdividem-se em:
  • Transitivos Diretos – exigem complemento sem preposição obrigatória(Objeto Direto).
  • Transitivos Indiretos – exigem complemento com preposição (Objeto Indireto).
  • Transitivos Diretos e Indiretos - exigem dois complementos, um sem eum com preposição. (Objeto Direto e Indireto).
Exemplos:
  • Ganhei flores. (verbo transitivo direto)
  • Preciso de um bom café. (verbo transitivo indireto)
  • Ganhei flores do João. (verbo transitivo direto e indireto)

Complemento Nominal

complemento nominal é o termo utilizado para completar o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).
Exemplos:
  • Os idosos têm necessidade de afeto.
  • A professora estava orgulhosa dos seus alunos.

Agente da Passiva

Agente da passiva é o termo que indica quem executa a ação, na voz passiva e vem sempre seguido de preposição.
Exemplos:
  • O bolo foi feito por mim. (por mim é o agente da passiva. Na voz ativa a oração seria: Eu fiz o bolo.)
  • Os índios foram catequizados pelos jesuítas. (pelos jesuítas é o agente da passiva. Na voz ativa a oração seria: Os jesuítas catequizaram os índios.)

Termos Acessórios da Oração

Os termos acessórios são os termos dispensáveis e são utilizados para determinar, caracterizar, explicar ou intensificar.
Adjunto Adnominal – caracteriza um substantivo, agente da ação, através de adjetivos, artigos, numerais, pronomes ou locuções adjetivas.
Exemplos:
  • O homem educado cedeu a sua cadeira à senhora de idade. (educado, sua,de idade = adjunto adnominal)
  • A economia do Brasil vai de vento em popa. (do Brasil = adjunto adnominal)
Adjunto Adverbial – se refere a um verbo ou a um advérbio e indica uma circunstância.
Exemplos:
  • Canta lindamente. (lindamente = adjunto adverbial)
  • Cheguei cedo. Vim de bicicleta. (cedo e de bicicleta = adjunto adverbial)
Aposto - tem a função de explicar um substantivo.
Exemplos:
  • Sábado, dia sete, não haverá aula de música. (dia sete = aposto)
  • O melhor do carnaval: alegria e disfarce das crianças. (alegria e disfarce dascrianças = aposto)
Agora que você já sabe tudo sobre Análise Sintática, aprenda também Análise Morfológica e Análise Morfossintática.

Exercícios

Vamos pôr em prática o conteúdo estudado acima e analisar sintaticamente os enunciados abaixo:
1. Falam muito mal dela, agora fingem-se seus amigos fiéis.
Aqui temos um período formado por duas orações:
1.ª oração: Falam muito mal dela,
2.ª oração: agora fingem-se seus amigos fiéis.
Portanto, trata-se de um período composto.
O sujeito é indeterminado nas duas orações. Não se pode ou não se quer identificar o sujeito sobre o qual estão sendo dadas as informações: Falam (quem?), fingem-se (quem?)
Vamos analisar a função de cada elemento do predicado da 1.ª oração:
  • Falam (o que ou sobre o que falam?) – uma vez que precisa de complemento, estamos diante de um verbo transitivo.
  • muito mal – são adjuntos adverbiais. Muito, de intensidade e mal, de modo.
  • dela – uma vez que complemente o sentido de um advérbio, trata-se de complemento nominal.
Agora, vamos analisar a função de cada elemento do predicado da 2.ª oração:
  • Fingem-se (do que fingem-se?) – uma vez que precisa de complemento, estamos diante de um verbo transitivo.
  • seus amigos – o sentido é completado sem a necessidade de preposição, logo o objeto é direto.
  • fiéis – caracteriza o substantivo amigos, logo é um adjunto adnominal.
2. As marchinhas, as cantadas por Carmem Miranda, eram maravilhosas.
Aqui temos um período simples. O enunciado é formado por apenas uma oração.
O sujeito é simples: As marchinhas. O núcleo do sujeito é marchinhas.
Vamos analisar a função de cada elemento do predicado:
  • as cantadas por Carmem Miranda – está identificando as marchinhas, assim, estamos diante de um aposto.
  • eram – uma vez que indica um estado, é um verbo de ligação
  • maravilhosas – uma vez que complementa o sujeito, estamos diante de um predicativo do sujeito.
3. Meu avô e minha avó morreram felizes.
Temos um período simples. O enunciado é formado por apenas uma oração.
O sujeito é composto: Meu avô e minha avó. O núcleo do sujeito é avô e avó.
Vamos analisar a função de cada elemento do predicado:
  • morreram – esse verbo tem sentido completo, por isso, é um verbo intransitivo.
  • felizes - uma vez que complementa o sujeito, estamos diante de um predicativo do sujeito.